UM 3X4 DEITADO

30 abr

Quando escrevo para alguém que não está aqui, tudo faz mais sentido. Escrever para você, é contar a história de trás pra frente. Quanto a nós, só espero que você não me leia.

Ler: ler é também matar o corpo. Uma leitura não representa nada. Ler é perder a coisa à vista. Ela me disse que, sempre que abria o jornal, pensava em nós. Eu não sei como você me lê.

Posso estar deitado em sua mesa. Acomodado na palma da sua mão. A relação com o leitor é automática. Erótica. Ela me disse que o corpo, quando ri, libera toxina. Previne tudo o que não serve pra nada.

Penso nas coisas que guardo em mim, e que não servem para nada. Tudo agora acumula, e transborda, erva. Lavar as roupas. Cuidar da cozinha. Não ter um jardim. Há sabedoria nas cidades cercadas de água.

Do outro lado da janela aqui faz frio. Onde você está, não. Reporto o clima para que você entenda sobre os meus humores. A manhã foi chuva. E um corpo quente quando se acopla, perfeitamente, àquilo que você é. Bicicletas.

Porto Alegre é uma cidade feita de esquinas. Penso em comprar o mapa mundi para saber exatamente onde estou. A sala pede uma segunda luminária. Ficar é consumir. E acumular. A geladeira acumula restos. Comer antes de partir.

A tela será quase um quadrado. Isso é certo. Um 3×4 deitado. Os risos. Os risos. Os risos. Farei um filme feito de risos. Antes de mais nada, há de haver o imperativo cômico. Sobre todas as coisas. Sobre nós, o certo é que seremos. Fato colono.

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