Arquivo | dezembro, 2010

AND ITS ALL OVER NOW BABY BLUE

9 dez

Ao longe toca um disco que comprei há muito tempo, mas que nunca escuto. Sempre existirá um disco para ser descoberto, basta que se continue comprando mais discos do que ouvidos para escutar. A sabedoria do monge não se aplica ao colecionismo. Se a paciência do blogger é manter-se atual então eu só talvez não tenha mais muito a falar aqui. talvez seja hora de simplesmente dar uma descansada. Talvez parar um pouco tudo. Encerrar uma década fechando estilos.
As coisas a minha volta continuam bagunçadas e acho que sempre estarão assim. Pode ser que, no verão, eu volte para essa casa onde passei tanto tempo esse ano. Mas não é certo. Gosto daqui. faz silêncio. Venta à noite. Sinto falta da lua. Dos amigos. Das noites vazias de tudo. de férias. Descanço. De quinze dias inteiros para não pensar. Embora eu saiba que, no segundo dia de férias, idéias para romances de verão. Se tudo nasce na barra do sahy, sete dias talvez sejam suficientes para se recomeçar o que nunca terá fim. Também não sei se estou preparado para mais uma temporada de calor. Apos o hiato de um verão, é estranho estar de volta.
Gostaria de escrever para outros meios. Explorar outras internets. Ou escrever de outro jeito. Gostaria também de ter coragem de nunca mais voltar aqui. Se os blogues precisam de um dia para dizer adeus, então é hora de partir. Sempre haverá um endereço antes de você e Texas sucks quando se tem quatorze anos e o mundo nem começou ainda a fazer sentido pode doer demais. O mundo nem começou ainda a fazer sentido e eu tive que ir embora. Como se congelar daqui há menos de duas semanas fosse a hipótese mais provável. Eu sempre tive mais medo de me entregar ao desconhecido, por isso dei a mão para o perigo. Aproveitar o sol todos os dias antes de voltar ao gelo. Se entregar. Se entregar. Se entregar. Há tanta peçonha nos insetos tropicais do morro da barra quanto nas doenças que o homem branco, alto, ruivo, e constante, pode trazer do outro lado do mar. Se alguma coisa voltar a fazer sentido para ser contada, volto aqui e digo onde estou. Promessa. Feliz fim de década. Bom começo de verão. 1970 ou anos 10. Aproveite.

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ON THAT NEED TO MAKE THE WRONG THING AT THE RIGHT TIME

3 dez

A sexta-feira chega ao fim e o fim de semana não anuncia feriados. O ano termina e é tudo uma questão de fechar prazos. Depois voltar para casa. se você ainda tiver uma. Seus pulmões nunca doeram tanto e os médicos sempre estarão preparados para os piores diagnósticos na época do Natal. É quase sempre entre Natal e Ano Novo que acontecem as maiores tragédias. Filhos tornam-se ainda mas órfãos quando o presente não vem carregado de expectativa. Contanto que se continue fazendo tudo do mesmo jeito errado, todos os dias serão iguais. As rugas cresceram vincos entre seus olhos e tudo será igual. Tão igual que você nunca perceberá o quanto está diferente. O quanto sua voz se tornou aguda. O quanto meus lábios tem caído para o chão. Vigiamo-nos. Os vizinhos. Vigiamo-nos. Já quase nem reclamam do barulho. O shuffle, nesse fim de sexta, roda suave. Quase desviamos do silêncio. Por pouco não escrevi aqui. não há motivos para estar aqui. Há uma diferença e uma semelhança infinita quando Janis Joplin, Bjork e The Organ entram na sequencia e provam que o shuffle tem uma inteligência que vai um pouco alem da máquina. Enquanto a NASA se reúne para afirmar vida em Marte, eu pressuponho existências muito mais perto e tão mais desconhecidas. Memética. Ou afins. Porto alegre 200equanto? Placebos não servem para curar distancia. O pior verão de todos os tempos nós passamos juntos. Você me chupando e eu te comendo. Depois a gente se esqueceu. Se eu sou mesmo as músicas que tocam no meu ipod, então normal que se continue visitando médicos. Enforcando feriados. E traçando a picada firme rumo ao fim do mundo. A pior AIDS habita o rio grande do sul, deu no jornal hoje de manhã. AIDS tipo C. A mais fácil de se pegar. Aquela que tem na áfrica. Ser colonizador é nunca esquecer que existe alguma coisa alem do que existe de fato. E sempre duvidar do perigo. Faz tempo que não termino livros e talvez esse Just Kids seja o primeiro que eu termine em muito tempo. Ainda não terminei, mas penso que vou. Nem fui eu quem comprou em alguma viagem para muito longe de nós. Quem de nós três comprou esse livro e de qual mochila para qual mala o texto de Smith saltou de um para o outro? o fato é que me apeguei ao livro. Ao chelsea hotel. A todas as coisas que você vai, intuitivamente, um pouco mais a cada dia, mostrando sempre um pouco mais para mim. A intensidade da amizade é proporcional ao conforto que o silêncio desaba sobre dois quando não tem mais muito o que falar um para o outro. mas seguem falando. Transpondo barreiras de exposição. É nesses momentos que as simbioses passam a fazer sentido. encontrar-se para trocar temperaturas. Ou yoga. Sozinho. Ao entardecer.