packing back to the sun.

17 fev

Quando nos despedimos hoje na Alexanderplaz não sabíamos mais como nos encontraríamos novamente. Nem se nos encontraríamos novamente e foi só por isso que nossos olhares embaraçaram-se demais na hora de dizer adeus. No trajeto até o cinema eu calculei mentalmente por quanto tempos fomos tres. A cidade vai ficando para trás quando as despedidas não tem mais uma data marcada para se reencontrar. Eu gosto de viver com os menores planos possíveis e só estamos perto quando há iminência da perda. Estar a um passo da perda equivale a reafirmar o compromisso de quando nos conhecemos: os dias acontecem sempre um de cada vez. E um de cada vez, todos os dias juntos, formarão um tipo suportável de convivência. Porque estar perto de você é sempre melhor do que estar sozinho. Às vezes amor pode ser só pegar na sua mão quando você sente medo. Aquecer seu coração quando a noite está fria demais. Chorar sem ter vergonha. Talvez esse seja só um post para eu te fazer entender o quanto eu gosto de você. As partidas são sempre muito mais simbólicas do que as chegadas. Deve ser por isso que estou aprendendo a odiar Berlim. Só agora entendo essa frase que li no blogue de um cara que conheci aqui em Berlim. A cidade que estou aprendendo a odiar é a cidade que preciso deixar para trás. Não sei viajar sem vontade, por isso estou catalogando-me para levar o máximo de mim mesmo de volta para casa. eu sei que precisaria comprar presentes para provar o quanto lembrei deles. Não comprei nenhum ainda. Lembro tanto e o tempo todo das pessoas que amo, que se fosse comprar tudo o que me lembrasse deles, eu teria que carregar metade da cidade no excesso de bagagem. Nem sempre associo presente a amor. Tenho medo dos presentes caros demais, por exemplo. Não entendo porque o valor de um gesto precisa ser medido pelo valor monetário. Maquetes de histórias e ansiedades diante do vazio. Duas afinidades perfeitamente ajustáveis. Voltar para casa implica reconhecer a própria língua. Os próprios gestos. O jeito de ser olhado. Por isso tem sido bom encontrar tantos brasileiros nesses últimos dias de Berlim. Ou não. E tudo o que eu sei é que um dia vou morar aqui no verão. mas depois vou logo embora. não vejo a hora de tomar sol deitado na sala de casa. olhando o abacateiro brilhando debaixo da luz. Time to Pack, time to Pack. I don’t wish it was not.

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