Arquivo | janeiro, 2010
29 jan

As notícias que mandamos para casa são cifradas demais para serem reais. Por isso preferimos não nos ater ínfimos vínculos para atestar nosso amor. Não nos falamos desde o portão de embarque do aeroporto de Guarulhos. O aeroporto de Guarulhos nunca foi tão distante. A última vez que nos falamos ao telefone. Se eu estava irritado era só porque eu estava com muito medo de andar de avião. O provável do meu vôo sempre é a queda e eu não quero ver o mundo tão pessimista quando sou um passageiro. Quando o avião decolava a sensação que sempre tomou conta do meu peito era de desapego. De deixar para trás algo que precisava ser deixado para trás. O pânico de voar torna cada viagem um caso de vida ou morte reais. Não sei se foi por isso que decidi comprar esse trecho Berlim Amsterdam. Mãe, se você estiver me lendo agora essa é só uma carta de amor. Ou a minha orelha para você.

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28 jan

Nunca sei porque volto. Às vezes nossos portos seguros são espaços virtuais onde nos agarramos em alguma possibilidade de continuar. Que bom que você entendeu. Não falo sobre amarras. Falo sobre transmutação de possibilidades. Reconforta-me saber que, quando me lê, me entende. É para você que aceno daqui de longe. Sempre estamos em lugares distantes, não posso quão perto as portas dos nossos quartos possam estar. viajar é muito mais físico do que talvez eu tenha pensado que pudesse ser. Às vezes fico horas olhando os patos no córrego que cruza o lago do parque. Quando meus pés deveriam estar congelados, sinto que a umidade dentro das minhas meias vem do calor, não do frio. viajar é permitir-se sentir alem do óbvio. Por isso gosto de ficar sozinho. Habitar espaços onde não sou é vislumbrar de sol quando meu olhar encontra o de alguém e novas formas de triangulo se completam, sem nunca se complementar.
Recebi uma carta bonita hoje. Falava sobre ser visgado pelo mal de escrever. Estranho. Eu ainda não senti esse mal. Talvez ele venha com a idade. Coisas que sinto quando leio sobre o Piva. Para onde o mundo está indo? Nunca fez tanto frio. meus pés nunca estiveram tão quentes, e o air continua tocando Kelly watches the stars há dois metros do meu nariz. Sou ou não sou um cara feliz? Até quando a realidade vai me dar provas concretas da sua generosidade e eu vou correr o risco de não corresponder. O mundo não é meu velho conhecido. Nem quero que seja. A liberdade que me permito é acenar do alto da montanha, do outro lado do seu travesseiro. Dormimos sobre o mesmo colchão, mas nunca dividimos o mesmo cobertor. Talvez seja esse o segredo da nossa felicidade. Fica aí a receita para quem quiser testar. Toca Hotel Califórnia nesse cidade menos vinte graus. Estamos na fase em que os ventos da Rússia incidem diretamente sobre a cidade e é mágico. É mágico ver a lua cheia de cabeça para baixo. Sim. Aqui a lua cheia é de cabeça para baixo.
Hoje, no fim do dia, em kreuzberg, olhei para o céu e as nuvens voavam depressa demais. A lua estava cheia, ou quase, mas estava linda no meio da escuridão. E o coelho saltando, que eu sempre vejo, e ninguém vê, ou a ave Maria, tudo estava de cabeça para baixo. Foi a primeira lua cheia que eu contemplei nesse ano de 2010. O bom do inverno é que tudo anda devagar. Que dormir ou não dormir, no fim das contas, acaba sendo tudo a mesma coisa.
É estranho compreender que tudo é equivalente. Estar ou não estar. falar ou não falar. Sorrir ou não sorrir. Por isso gosto de rebolar no metrô. E por isso as vozes de vocês dois, gritando mais do que o bom senso permitiria, me deixa tão feliz. É quando sinto que posso ser só um estrangeiro preocupado com o manejo social. Estranhos controles tem tomado conta de mim nesses dias de Berlim.
Na real, eu só espero que tanto os cartões postais, quanto os contratos de trabalho cheguem aos destinatários dentro do prazo prometido. De resto, to fazendo a minha praia na cidade do futuro.

it’s all over now babe blue.

18 jan
11 jan

11 jan

And so, last night at the U-BAHN, you asked me why were we talking in english. – because I don’t wanna talk only to you. I wanna be heard by the others around me. the greatest fear I have to face everyday is the iminent possibility of never coming back. last night, inside a lighty train crossing the city, I realised to myself how stupid was I trying to control my instincts when back to home. This city never frozes. There’s snow all around. Thousands of tons of snow. Sometimes I almost fall and it’s funny. Just the nature finding a way to me make me smile. Sometimes, in the middle of this no sun january’s afternoon, I glimpse my eyes trying to wonder the sun on the other side of our heads.
Today I took ubahn alone. It’s like if, suddenly, I could catch-me in the no future, no plans, just a train and a city.
As far as it snows. As far as I know. Take a train to nowhere at least once a week is necessary if beeing alive.

8 jan


somewhen new years eve berlin 2010.

8 jan

Sometimes it’s just because a crazy person from Istambul is thinking about you right now. Connections are avaiable to happen everywhere you are. It doesn’t matter if in front of a café where you just leaved your show. You will never be happy enough with your show, but if, after it all, after all those tears, you are opened to meet a brazilian man, 30 years old, smiling lips and hot hands, what can you do if not kissing him? The fact is that I would never resist to myself. That’s what I’m thinking here in this icy land. Women are ready for all. Men are crazy walking around over questions. I’m a woman. You no. You are just a cowboy Singer old boots. But that night, when we’ve met, you were joni Mitchell red lips Black hair. Flying back to my city in two days, for the first time. World is just a crazy place to live, when you’r open to it.