Arquivo | setembro, 2009

tevinatevê!

24 set

http://mtv.uol.com.br/scrap/videos/ismael-caneppelle-conta-tudo-sobre-sua-vida-de-escritor-ator-e-roteirista-para-marimoon

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23 set

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investigando sms’s – its all about saturday night

23 set

BRANCO

Sem condições, bebemos na calixto. Bjo amoré bom filme.

BRANCO

Só deus sabe! Te ligo

BRANCO

HAHAHAHAHA

Deves ter

JUD

Dormes? Ta afim de comer e beber algo? Depois sei de duas festas.

JUD

Indie, né? Eu tava afim mas já são dez!

JUD

Bom filme!

BRANCO

Ainda nenhuma… mas estamos pensando na wild night…

DESA

Gente! Lua cheia?

BRANCO

Estamos indo no cinemao. Te pego aí

BRANCO

Te ligo depois

JUD

To indo pra ai. onde?

JUD

Onde?

JUD

Nossa! Onde você tem ido? So vejo gente linda. To tomando uma caipirinha e mais tarde vou numa festa. bjs

URUGUAIANA

To em Taboão tentando fazer um cachorro vira lata que encontrei na rua dormir para que eu possa entrar no carro. Acredite. Maria da graÇa ever.

POPS

Tava escondido?

POPS

continua?

JUD

Não to em casa! Bjs. A festa é de musica brasileira meu nome é Gal. Bjs.

BALADEIRA

Vamos pro gloria! Leva a Laura!

NUMERO DESCONHECIDO

Amo-te também e adoooooro declarações sábado a noite.

POPS

Dormindo quase. Como fazem os velhotes. Queria saber do rio, acho que vou.

POPS

Eu vou. Vamos correr nus pela orla?

DESA

Vomite na sarjeta, beibe…

THALITA

Hoje non… entro as 6 amanhã…

DESA

Ou na minha caisa….

THALITA

Inveja de quem me imita? Nunca… você é cria minha!!

THALITA

Suas lágrimas no fim da noite ao se deparar com você mesmo e sua realidade me confortam…

LAJEADO

Amoré. Saudade gigante, manda beijos a todos. Amooooo-te patinhas. Tu sempre ta aqui. Mesmo longe

BRANCO

Glam total! Onde esta?

MINA LADY GAGA

Vem aqui tem doce. Acabamos de tomar. Chama a laurrrrrrrra! Minha chácara é mto perto

MINA LADY GAGA

Yes!

LAJEADO

A veia ta cuidando da nene. Eu ela estamos no mesmo d sempre comemoraindo meu aniversario.

BRANCO

Tem uma no Higienópolis. Onde é?

LAJEADO

Volta logo não demora

JUD

Cardeal, 1545. Ta tocando Gal mesmo!!!!

BRANCO

Sergipe, 245/9t. Higienópolis

LAJEADO

Ai Jesusa. Morro de inveija.

LAJEADO

Nunca. é frigida demais para mim. ahahahhahahahahha

LAJEADO

No paralelummmmmmmmmmmmm’s

LAJEADO

Um monte de gente. Bandas é o d menos. Bombo até no kerb colega

LAJEADO

Quero tu.

LAJEADO

Falei primeiro, dai.

LAJEADO

Meda! Dör trovando a mika. Comemorem meu aniver ai. meu coração ta ai. amo-te

NUMERO DESCONHECIDO

na augusta?

JUD

Melhor som em anos!!! Ta acordado?

JUD

Ahahahaha, quero tomar isso que você ta ingerindo!

JUD

Ta em casa?

Fiquei um tempo sem receber mais nenhuma chamada no meu celular. O bar continuava lotado de pessoas entrando e saindo. A fila para pagar a conta. Os tênis coloridos. Unhas pintadas de cor de laranja e garotos com correntes saindo do bolso de trás e entrando no bolso da frente. Sentado na minha mesa eu não tinha a menor vontade de olhar para aqueles rostoso. Perdia meus olhos dentro das bolinhas douradas que brotavam no fundo de vidro.

Notei que a bateria do celular havia acabado. Tentei ligar, e nada. Desconectei a bateria e voltei a ligar. Eu estava sem comunicação. Paguei a conta e saí correndo do bar para tentar decidir o que faria naquela noite. Disso eu lembro. Lembro de pensar em comprar um cartão e depois me dar conta de que eu não sabia o numero de ninguém de cor. Os únicos que eu sabia de cor não existiam mais. lajeado, Curitiba, rio de janeiro – nenhum estava aqui. O resto estava gravado no meu celular. A possibilidade de uma noite estava no meu celular. Raspas e restos me interessavam. A rua augusta não. Peguei um taxi e voltei pra casa para recarrega-lo.

FOTONOVELA

22 set

CENA 01

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era uma tarde de inverno quando a cidade estava de domingo.

CENA 02

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os seus óculos refletiam a plantação tentando encontrar algum sentido no que enxergavam.

CENA 03

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um duende aparece de dentro das flores.  a certeza pode ser uma só: é bom não estar sozinho.
às vezes.
CENA 04
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tento ser notado sem que ele sinta medo de mim.
CENA 05
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quem de nós ousou ser dois?
lajeado, ceva 20, carneiros.

diário de sábado à noite – parte um – céu.

21 set

Sem nada para fazer, mas com vontade de aproveitar a noite de sábado, saí de casa.
Queria caminhar pq tinha comido muito (o lado ruim de cozinhar para si é sempre comer por nós dois) fui a pé, ouvindo van zandt no mp3, mas isso não importa. Tu não conhece van Zandt e não adiantaria eu tentar te explicar. Tu não iria te surpreender.
Cena 01 – rua augusta. Cinesesc lotado por causa do festival de cinema indie. Pensei que só eu havia tido a idéia de ver o filme da Naomi Kawase naquela noite quente. O ultimo sábado do inverno. É preciso estar atento às datas, e eu não estava tanto assim.
O Cinesesc lotado era a prova concreta de que aqui é impossível ser só você. Por mais que eu tente fazer qualquer coisa sozinho, sempre terá mais alguém fazendo o mesmo. Na praça do pôr do sol eu também não estava sozinho. No banheiro alguém entrou antes de mim. um cara saiu sem lavar a mão e um outro esqueceu de dar a descarga . É diferente de lajeado onde é perfeitamente ser único. No meu caso quase impossível não ser. É fácil mais confortável ser diferente quando há tanto espaço livre: plantações, estradas, trilhos de trem, vales, bosques, campings, morro gaúcho, ceva 20, passo do corvo. Ser a única pessoa de um lugar. Nenhum olho que não seja o dos bichos, das plantas e de deus, que sorri quando o sol cai bonito. É assim que me sinto quando estou na natureza.
Subi a augusta pensando em todas essas coisas enquanto ouvia apenas Townes van Zandt em um repeat quase hipnótico. Por mais que eu tentasse ser normal, meu all star tinha peso de botas. Acho que é por isso que não me sinto mais confortável usando all star. Sinto os pés vulneráveis. Não há nada que os proteja do mundo. Prefiro solados grossos, com um pequeno salto de preferência. Gosto de botas de cano alto. Só com botas de cano alto posso ser o lugar. Botas de cano alto me conectam imediatamente com o chão. Ancestralidade. Sei lá. Mas é assim. O problema de se usar botas na cidade é que o chão duro não amortece o passo e acaba machucando a coluna de quem gosta muito de caminhar. Diferente de se usar botas no campo, onde a terra absorve os impactos.
Eu era só um cara tri normal andando pela augusta. O mais real de toda a rua. Passei na frente do Unibanco e estava quase vazio. Não tinha fila, mas as mesas do café estavam todas ocupadas. Sábado de noite na rua augusta eu só queria uma mesa na calçada da Janete. Não adiantaria voltar, a Janete não existe mais.
Saquei que tudo na augusta parecia ter saído de um brechó, de um sebo, de um bazar de móveis usados. Na augusta a roupa de algumas pessoas contem um traço escondido de naftalina. Não sei se mais alguém percebe. É só tentar olhar um pouco mais de perto. Andei por muitos bares, todos em que a gente já bebeu, procurando uma boa mesa para um cara desacompanhado.
Sábado de noite eu até tive vontade de encontrar algum amigo, sem querer. Ensaiei mensagens. Lastimei estar em São Paulo. O Marquito tava no paralello e não tinha como eu chegar no paralello naquela noite. De noite, procurando um bar na augusta, eu senti saudade de ter um parceiro de mesa. Alguém que espantasse o sono e o tédio de tudo sempre igual. Bebi tres boêmias. Uma com cada um de vocês:
A primeira garrafa eu bebi em Curitiba.
A segunda eu bebi em lajeado.
A terceira eu bebi no rio de janeiro.
Eram as únicas cidades do Brasil onde eu não estaria sozinho na noite do último sabado. Eu estava em são Paulo. Sozinho. Num sábado à noite na rua augusta.
Visto de dentro dos meus olhos, o mundo parecia um filme sem sentido. Zorra total passando na televisão. Os garçons rindo sempre que uma atriz gorda era enquadrada pela câmera lateral. Se desse para escutar, eu conheceria o texto daquele bordão. Estaria conectado tanto à atriz quanto aos garçons. Na noite de sábado em um bar da rua augusta, uma camisa xadrez sempre fará parte do seu campo de visão, mas não, isso não tem nada a ver com denver, nem Califórnia, nem van zandt. Eu era um estranho e sozinho. Se tu estivesse comigo, faria sentido ser só. Apareceu uma menina bonita e eu tive vontade de paquera-la só para saber se eu era capaz de ser paquerado de volta, ou sei lá, esperar qualquer coisa acontecer. Depois ela virou de lado e deu para ver um piercing cravado no meio da cara. Eu só queria saber onde estava o folk. O parallelo. Detroit-canoas-amor.
No fundo é que é só um pouco complicado quando se vive em um pais cujo senso estético você não compartilha. Mas eu ainda tinha meu mp3 carregado de Townes e depois dele começou a tocar Ray davies e ok, porto alegre acabava de ser eleita a quarta cidade onde eu também não estaria sozinho. Garçom, mais uma bohemia!

google maps diaries # 02

18 set

Acordei com a freada de um carro quase em cima das minhas botas. Abri um olho. Uma porta se abriu e as botas de salto alto desceram de uma camionete cor de cobre desbotada. As pernas eram as pernas de uma mulher bonita e de costas ela parecia um pouco com a Brigitte Bardot. Cabelo loiro queimado de sol. Pele loira queimada de sol. Cor de cobre desbotada. Vestido e vento batendo. O sol continuava alto e eu pensei que aquilo era a continuação de  um sonho que eu estava tendo. Eu estava nos estados unidos, na terra das oportunidades e ela usava botas com vestido curto e com vento na rua e com sol e eu olhei e só fiquei olhando para as costas e para as coxas e para quase toda a xoxota dela bem na minha cara pegando os pacotes com as compras. Eram pacotes de papelão cor de cobre desbotado. Camurça, igual às botas. igual á pele. Ela desviou as botas dela das minhas botas e ela só viu as minhas botas porque atrapalhavam o caminho. Ela era bem daquele tipo de gente norte americana protestante que nunca olha para o lado. Parecia a Katharine Ross no Stepford Wives. Ela não sabia, mas estava muito longe de ser o meu tipo de mulher. Sou brasileiro. Não me contento com pouco. ela bateu a porta e atravessou a rua. tava junto com um tipo de cabelo encaracolado meio grande, que devia ser o dono da caminhonete. ele de camisa xadrez. Parecia que eu tinha demorado a vida inteira para entender o peso da camisa xadrez no corpo de um homem atravessando a rua em Lowell e entrando na casa onde Kerouac nasceu.

Entraram na casa mas não eram membros da família. O sangue de Gabrielle jamais permitiria que, de sua linhagem, descendesse esse tipo de gente folgada que gosta de curtir a vida bebendo cerveja na frente da televisao em uma tarde de calor. para gabrielle, os jovens deviam escalar montanhas, acampar, conservar os preceitos do escotismo próximos à natureza. Fiquei um tempo encostado no muro, olhando para a casa onde o casal havia entrado, tentando tentar criar coragem e bater na porta da casa e convida-los para aquela merda que eu tinha inventado. A idéia de convidar o morador da casa do Jack kerouac para pegar a estrada comigo,  se transformou na coisa mais ridícula do mundo. O tipo de tese dessas sofie callesinhas da vida. Imaginei a loira abrindo a porta e o cara deitado no sofá, sem camisa, bebendo uma cerveja e irritado com o calor e com o som da rádio gospel na casa da vizinha. o que eu falaria? posso sentar e morar aqui com vocês?

Fiz muita força para recobrar o pensamento e focar no meu objetivo inicial que era “bater na porta da casa onde o cara nasceu e convencer uma pessoa daquela casa a pegar a estrada comigo afim de honrar o espírito que ali havia nascido”. Ou seja: uma coisa ridícula. hoje a maioria pode até gostar, mas ninguem mais faz isso. o cara havia nascido em 22. aquele casal devia ser de 83, 84… Eu só estava seguindo a moda. eu precisei chegar nos estados unidos, na porta da casa do Jack kerouac, para me dar conta de que tudo em mim era uma farsa. As botas. A camisa xadrez. Os cabelos bagunçados e o On The Road dentro da mochila. Meu deus! Como eu fui óbvio! precisar torrar uma grana para sacar o que qualquer um sabia.

fiquei uns quinze minutos indo até a esquina da fred st, olhando para os dois lados, medindo a sombra e perguntando para mim mesmo o que eu devia fazer. depois de um tempo pensando em tudo o que eu devia fazer, decidi fazer o que eu queria fazer.

Já que eu era uma farsa, decidi ser farsa. Vendo que os casal moscão dos estados unidos tinha deixado a chave na ignição cor de cobre desbotada, notando o banco de couro marrom desbotado e a carteira de Luck Strike em cima do painel, uma força empurrou minha mão obrigando ela a abrir a porta e e eu abri a porta do motorista, e eu joguei minha mochila no banco onde a loira acabara de suar o cu e dei a partida. Deslizei suavemente até a esquina com a Fred St e liguei o rádio. Era Janis.  Dobrei mais uma vez á direita seguindo a direção da 113. o bom de ser uma farsa, é conhecer bem os mapas e a legislação local. eu não conhecia.  No meu plano de viagem eu convenceria uma pós-adolescente deprimida e ansiosa a se libertar do protestantismo na estrada americana.

Viajar implica o desapego de qualquer expectativa e pelo menos eu estava fazendo a minha parte. Eu e minha caminhonete roubada do casal mais foda do universo. Pelo menos agora tínhamos algo em comum: a caminhonete desbotada. Freedom is Just another Word for nothing left to loose gritou a Janis bem alto no rádio e eu acelerei. quanto mais longe chegasse, mais perto estaria daqueles dois.

agonia

18 set